sábado, 27 de dezembro de 2014

A APERAM X PRODUÇÃO DE ALIMENTOS




A APERAM X PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

Assim como o Brasil – o pais, como um todo- que continua submetido aos interesses de grandes grupos multinacionais, focados exclusivamente nas “commodities” (exportação de bens primários, sem qualquer valor agregado), também o município de Minas Novas (e mais alguns dessa região) precisa livrar-se da atividade reflorestadora (produzir apenas eucalipto para carvão) como sua principal fonte econômica, pois esta, a cada ano, vai empobrecendo as comunidades e empurrando o pequeno produtor rural para outras atividades, eliminando a possibilidade de produção de alimentos para seu próprio sustento e para a venda de seus excedentes e sobras na feira local, obrigando a população a comprar sua comida no mercado abastecido pelos produtos que vêm da CEASA, desta forma destruindo o meio-ambiente e eliminando, assim, a figura do lavrador, do vaqueiro e do sitiante, esvaziando a agricultura familiar e inchando as cidades onde vão-se multiplicando as mazelas sociais provocadas pela pauperização urbana, concorrendo para o crescente desrespeito ao ser humano, no desapego à ética e à moral, com a destruição da dignidade do cidadão e a completa degradação dos valores tradicionais, históricos e culturais, 
A Aperam BioEnergia tem seu negócio orientado para a produção e comercialização de carvão vegetal, madeira, mudas e sementes, a partir de florestas renováveis de eucalipto em Minas Gerais. Suas áreas estão localizadas nos municípios de Itamarandiba, Capelinha, Veredinha, Turmalina, Minas Novas e Carbonita. (Assim consta do site oficial dessa empresa)
Porém, apesar do que anuncia, em relação às perspectivas econômicas e ideal de produção, a APERAM tem como modelo a plataforma da grande propriedade para a produção de commodities (no Vale do Jequitinhonha), com o mínimo de investimentos sociais, reduzida utilização da mão de obra humana, uso da irrigação constante das florestas artificiais com as águas sugadas nos minguados córregos, introdução da mecanização intensiva que expulsa as famílias do campo,  sem qualquer regulação dos agrotóxicos nessa produção massiva de madeira destinada a se transformar em carvão, combustível que vai alimentar os auto-fornos siderúrgicos do Vale do Aço. Tudo isto, deixando para trás considerável passivo ambiental e social, de vez que os lucros da empresa se concentram, exclusivamente, nos municípios distantes, onde geram empregos, pagamento de impostos e contribuições previdenciárias, sem deixar, em Minas Novas e demais municípios da região, as contrapartidas correspondentes e proporcionais à real importância desse componente na equação do produto industrial final que é o Aço. E nesse modelo, o nosso meio rural continua sendo apenas um espaço de produção, uma “fábrica verde”, submetido ao interesse único da grande empresa, que não demonstra qualquer disposição concreta de contribuir para o desenvolvimento da região e trazer investimentos sociais a favor do povo que explora, que vai se definhando e se marginalizando.
Esse modelo de monocultura, de ocupação massiva do solo, de utilização de agrotóxicos, irrigação intensiva que suga toda água de superfície e dos lençóis freáticos, mecanização pesada que destrói a flora nativa e a fauna silvestre, não coloca o município, nem o país, no trilho do futuro. O município de Minas Novas, cuja tradição é a agropecuária, precisa ter de volta a sua antiga atividade agrícola, para voltar a ser autossuficiente em alimentos, induzindo o desenvolvimento com sustentação ecológica, com base em investimentos, em ciência, tecnologia, inovação e crédito, a partir dos meios que hoje já permitem sua acessibilidade, e pelas quais são possíveis obtê-los e de ser utilizados, não somente pelas empresas reflorestadoras, como antes acontecia, mas também pelos pequenos produtores rurais, graças às políticas públicas que inexistiam na época em que a ACESITA, quando aqui chegou com suas máquinas e grileiros, implantando a atividade invasora que era de interesse do governo federal daquela época, eram essas glebas rurais, de proprietários desvalidos e indefesos, classificadas  criminalmente como terras devolutas, o que restou comprovado como enganoso ardil imposto pelos políticos daquela época, os quais não tinham qualquer compromisso com o progresso econômico local e nunca demonstraram interesse pelo desenvolvimento social de nosso povo.
Assim, mesmo que continue produzido eucalipto e carvão, a APERAM precisa adaptar-se à realidade atual do município de Minas Novas, para viabilizar a geração de empregos, com a introdução de adequada infraestrutura produtiva, suporte de educação, saúde, cultura, comunicação e lazer para seus empregados, criando condições de progresso para a região onde atua e de onde busca 50% dos componentes de seu produto final, pois não se pode desconhecer o fato de que é impossível produzir aços especiais sem a participação do carvão vegetal, mesmo que, até aqui, de forma unilateral queiram demonstrar o contrário e assim desqualificar o componente carvão, relegando o seu valor como o de mero combustível, de menor importância para o processo industrial. E ainda sobre este aspecto, em particular, quanto o uso do carvão vegetal no processo de usinagem do AÇO, o carvão não é apenas um "simples combustível", mas elemento indispensável e insubstituível, pois se assim não fosse já teria sido substituído pela tecnologia da energia elétrica, do petróleo ou de uma outra qualquer. Sendo assim, o CARVÃO VEGETAL, tanto quanto o minério de ferro, é imprescindível para a produção da valorizada e milionária siderurgia de AÇOS ESPECIAIS.

Além disso, E PRINCIPALMENTE POR TUDO ISTO, é preciso exigir dessa Empresa que reveja seus princípios e passe a cuidar melhor das pessoas e do meio-ambiente, que busque recompor os estragos que vem provocando ao longo desses 40 anos de atividade reflorestadora. É preciso contribuir efetivamente  para o processo de recomposição das micro-propriedades rurais que foram griladas e devastadas, possibilitando a volta dos antigos ruralistas a suas antigas glebas e grotas, onde, há séculos, por si e pelos seus antecessores,  desenvolviam suas roças e criações, para que assim a agricultura familiar venha, novamente, atender à demanda crescente por alimentos saudáveis, com o controle natural e biológico, sem o uso de agrotóxicos, com a absorção metódica de tecnologia para operar a transição para um modelo agro ecológico que a modernidade deseja e espera atingir.


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