A APERAM X
PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
Assim como o Brasil – o pais, como um todo- que continua submetido aos
interesses de grandes grupos multinacionais, focados exclusivamente nas
“commodities” (exportação de bens primários, sem qualquer valor agregado),
também o município de Minas Novas (e mais alguns dessa região) precisa
livrar-se da atividade reflorestadora (produzir apenas eucalipto para carvão)
como sua principal fonte econômica, pois esta, a cada ano, vai empobrecendo as
comunidades e empurrando o pequeno produtor rural para outras atividades,
eliminando a possibilidade de produção de alimentos para seu próprio sustento e
para a venda de seus excedentes e sobras na feira local, obrigando a população
a comprar sua comida no mercado abastecido pelos produtos que vêm da CEASA, desta
forma destruindo o meio-ambiente e eliminando, assim, a figura do lavrador, do
vaqueiro e do sitiante, esvaziando a agricultura familiar e inchando as cidades
onde vão-se multiplicando as mazelas sociais provocadas pela pauperização
urbana, concorrendo para o crescente desrespeito ao ser humano, no desapego à
ética e à moral, com a destruição da dignidade do cidadão e a completa
degradação dos valores tradicionais, históricos e culturais,
A Aperam BioEnergia tem seu negócio orientado para a produção e
comercialização de carvão vegetal, madeira, mudas e sementes, a partir de
florestas renováveis de eucalipto em Minas Gerais. Suas áreas estão localizadas
nos municípios de Itamarandiba, Capelinha, Veredinha, Turmalina, Minas Novas e
Carbonita. (Assim consta do site oficial dessa empresa)
Porém, apesar do que anuncia, em relação às perspectivas econômicas e
ideal de produção, a APERAM tem como modelo a plataforma da grande
propriedade para a produção de commodities (no Vale do Jequitinhonha), com o
mínimo de investimentos sociais, reduzida utilização da mão de obra humana, uso
da irrigação constante das florestas artificiais com as águas sugadas nos
minguados córregos, introdução da mecanização intensiva que expulsa as famílias
do campo, sem qualquer regulação dos agrotóxicos nessa produção massiva
de madeira destinada a se transformar em carvão, combustível que vai alimentar
os auto-fornos siderúrgicos do Vale do Aço. Tudo isto, deixando para trás
considerável passivo ambiental e social, de vez que os lucros da empresa se
concentram, exclusivamente, nos municípios distantes, onde geram empregos,
pagamento de impostos e contribuições previdenciárias, sem deixar, em Minas
Novas e demais municípios da região, as contrapartidas correspondentes e
proporcionais à real importância desse componente na equação do produto
industrial final que é o Aço. E nesse modelo, o nosso meio rural continua sendo
apenas um espaço de produção, uma “fábrica verde”, submetido ao interesse único
da grande empresa, que não demonstra qualquer disposição concreta de contribuir
para o desenvolvimento da região e trazer investimentos sociais a favor do povo
que explora, que vai se definhando e se marginalizando.
Esse modelo de monocultura, de ocupação massiva do solo, de utilização
de agrotóxicos, irrigação intensiva que suga toda água de superfície e dos
lençóis freáticos, mecanização pesada que destrói a flora nativa e a fauna
silvestre, não coloca o município, nem o país, no trilho do futuro. O município
de Minas Novas, cuja tradição é a agropecuária, precisa ter de volta a sua
antiga atividade agrícola, para voltar a ser autossuficiente em alimentos,
induzindo o desenvolvimento com sustentação ecológica, com base em
investimentos, em ciência, tecnologia, inovação e crédito, a partir dos meios
que hoje já permitem sua acessibilidade, e pelas quais são possíveis obtê-los e
de ser utilizados, não somente pelas empresas reflorestadoras, como antes
acontecia, mas também pelos pequenos produtores rurais, graças às políticas
públicas que inexistiam na época em que a ACESITA, quando aqui chegou com suas
máquinas e grileiros, implantando a atividade invasora que era de interesse do
governo federal daquela época, eram essas glebas rurais, de proprietários desvalidos
e indefesos, classificadas criminalmente como terras devolutas, o que
restou comprovado como enganoso ardil imposto pelos políticos daquela época, os
quais não tinham qualquer compromisso com o progresso econômico local e nunca
demonstraram interesse pelo desenvolvimento social de nosso povo.
Assim, mesmo que continue produzido eucalipto e carvão, a APERAM
precisa adaptar-se à realidade atual do município de Minas Novas, para
viabilizar a geração de empregos, com a introdução de adequada infraestrutura
produtiva, suporte de educação, saúde, cultura, comunicação e lazer para seus
empregados, criando condições de progresso para a região onde atua e de onde
busca 50% dos componentes de seu produto final, pois não se pode desconhecer o
fato de que é impossível produzir aços especiais sem a participação do carvão
vegetal, mesmo que, até aqui, de forma unilateral queiram demonstrar o
contrário e assim desqualificar o componente carvão, relegando o seu valor como
o de mero combustível, de menor importância para o processo industrial. E ainda sobre este aspecto, em particular, quanto o uso do carvão vegetal no processo de usinagem do AÇO, o carvão não é apenas um "simples combustível", mas elemento indispensável e insubstituível, pois se assim não fosse já teria sido substituído pela tecnologia da energia elétrica, do petróleo ou de uma outra qualquer. Sendo assim, o CARVÃO VEGETAL, tanto quanto o minério de ferro, é imprescindível para a produção da valorizada e milionária siderurgia de AÇOS ESPECIAIS.
Além disso, E PRINCIPALMENTE POR TUDO ISTO, é preciso exigir dessa Empresa que reveja seus princípios e passe a cuidar melhor das pessoas e do meio-ambiente, que busque recompor os estragos que
vem provocando ao longo desses 40 anos de atividade reflorestadora. É preciso
contribuir efetivamente para o processo de recomposição das micro-propriedades rurais que foram griladas e devastadas,
possibilitando a volta dos antigos ruralistas a suas antigas glebas e grotas,
onde, há séculos, por si e pelos seus antecessores, desenvolviam suas roças e criações, para que assim a agricultura familiar venha,
novamente, atender à demanda crescente por alimentos saudáveis, com o controle
natural e biológico, sem o uso de agrotóxicos, com a absorção metódica de
tecnologia para operar a transição para um modelo agro ecológico que a
modernidade deseja e espera atingir.
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